segunda-feira, 14 de junho de 2021

Perfil Criminal: O Grande Dragão Vermelho

Como funciona a construção de um perfil de um assassino psicótico? Nesta postagem vou utilizar o personagem Francis Dolarhyde do filme "Dragão Vermelho" para demonstrar as principais características que podem ser observadas. Um indivíduo dominado pelo delírio e compulsão pela violência.

Então vamos imaginar que Dolarhyde foi preso e está à nossa frente para que façamos a elaboração de seu perfil psicopatológico.

 

 

Apresentação

O paciente é Francis Dolarhyde, com idade por volta dos quarenta anos. O paciente é alto, atlético, pratica musculação e apresenta-se em boas condições de higiene pessoal, com vestes adequadas.

 

Atividade Psicomotora e Comportamento:

Em relação a atividade psicomotora e comportamento sua mímica é desconfiada, pouca gesticulação, quase ausente, motilidade normal,  modo de caminhar tenso. 

A atitude do paciente para com o entrevistador é cooperativa, gosta de falar sobre suas crenças, contudo adota uma postura de superior, acreditando estar em comunhão com um ser místico evoluído, como ele mesmo diz “um deus entre os homens, o “Dragão Vermelho”. Em algumas vezes se mostra irritado quando é mencionado a alcunha que foi criada para ele pela mídia: Fada dos Dentes. Dolarhyde descreve tal título como “aviltante” e uma distorção do que ele representa, já que está ligado a um ser superior.

No que tange sua atitude verbal fala pouco sendo igualmente pouco responsivo às deixas do entrevistador, torna-se desconfiado quando o assunto é sobre sua fala ou sobre sua aparência física uma vez que sente desconfortável com sua deformidade labial, uma vez que sofreu diversos abusos psicológicos quando morava com sua avó na infância, que o chamava de monstro entre outas coisas. Mesmo sendo submetido a cirurgia estética em sua fenda palatina, ele ainda não se sente confortável com sua aparência chegando a quebrar os espelhos de sua casa para não olhar para sua imagem. Porém, fica a vontade e se torna normalmente responsivo e fala muito quando menciona sua metamorfose no seu avatar sagrado, o “Dragão Vermelho”, e como funciona o processo de sua comunhão com esse místico que acredita estar em contato e ser o seu deus. Outra ocasião em que fala bastante é quando fala sobre o médico assassino em série doutor Hannibal Lecter, pessoa a qual admira muito por acreditar estar de alguma forma devido a sua percepção acima das outras pessoas da sociedade, e que segundo ele o inspira, no seu processo de ascensão.

 

Funções Psíquicas – Avaliação e relato da atividade mental 

Em análise em relação ao nível da consciência objetiva o paciente sofre de Delirium com alucinações auditivas, e ideias deliróides sobre o ser fantástico, o qual imagina ter uma ligação real, o “Dragão Vermelho”. Sendo que Dolarhyde narra que ouve em diversas ocasiões o Dragão lhe dando ordens, e que acredita estar em contato e que esta se fundindo com tal ser, chegou a citar que em determinada ocasião o Dragão havia exigido que ele sacrificasse sua colega de trabalho chamada Reba McClane que é deficiente visual, a qual estava apaixonado.

Observa-se que sua consciência reflexiva, a sua consciência do eu, em relação a sua identidade acredita que sua persona humana seja apenas uma casca utilizada pelo seu verdadeiro ser, que como descreve: o “Deus Dragão”, não estando consciente que sempre seja a mesma pessoa havendo a despersonalização.  O indivíduo dentro deste espectro de consciência vivencia a si próprio como irreal, diferente, transformado, estranho ou dissociado.

Sua atenção é voluntária, pois sua concentração se mostra ativa e intencional, lhe permitindo uma boa interatividade com pessoas e tarefas no dia a dia. Apresenta hiperprosexia com atenção seletiva devido sua capacidade de determinar atenção focal, e concentração das funções mentais e estabelecer prioridades da atividade consciente visando à seleção de estímulos e objetos específicos, perante a um amplo número destes, como por exemplo, em determinado momento em que assistia um determinado vídeo caseiro de uma casa que planejava invadir mesmo com sua namorada Reba o excitando sexualmente fazendo sexo oral. E observa-se possuir concentração derivada de sua atenção voluntária, conseguindo desempenhar normalmente suas funções do dia a dia, seja como chefe de produção da divisão de filmes domésticos, ou executando seus ataques a casa das vítimas.

Possuí orientação Orientação Alopsíquica, uma vez que demonstra capacidade de se orientar em relação ao mundo no espaço, como sua residência, local onde desempenha seu trabalho, inclusive sabe dirigir. E orientação no tempo, fazendo perfeita distinção dia da semana, dia útil ou fim de semana, distinção entre dia e noite, podendo ser percebida devido seu comparecimento regular em seu local de trabalho no horário previsto, e em usas ações em que atacou pessoas chegava a se guiar pelas fases de lua cheia para programar suas ações. E também observamos orientação autopsíquica já que é possível observar sua capacidade de se orientar em relação a si mesmo como seu nome, profissão, etc.

Memória e inteligência do paciente se mostram normais, porém analisando sua sensopercepção constata-se que sofre alucinações auditivas, já que como mencionado anteriormente acredita que a entidade “Dragão Vermelho” conversa com ele, ouvindo sua voz.

A forma de pensamento são de ideias prevalentes, a ideia de fazer parte de um processo de comunhão com um ser místico e a obrigatoriedade de fazer sacrifícios para atingir a plenitude desta transformação, apesar de serem frequentes não parecem absurdas ao paciente. Assim, como se pode observar tais conteúdos do pensamento do paciente envolvem poder e grandeza, acreditando estar próximo de entrar em uma espécie de comunhão com a entidade “Dragão Vermelho”.

Sua linguagem possui velocidade normal, apesar da sua deformidade labial, e de falar pouco por conta desse fato, se expressa bem quando disposto.  

 Sobre sua capacidade de juízo e crítica perante as dimensões de delírio em relação a causalidade o paciente Dolarhyde possuí grande convicção de sua ideias delirantes, apresentando consequentemente uma  resposta afetiva e comportamento desviante extremados sendo capaz de matar para satisfazer a entidade mística que acredita servir.

No quesito tipos de delírio constatamos delírio primário ou ideias delirantes verdadeiras por ser delírio isento de fatores externos, uma vez que acredita que o ser místico o “Dragão Vermelho” é onisciente e onipresente se comunicando com ele diretamente, ditando suas ações.   Delírio de grandeza também se encontra presente, pois acredita ser especial, com um destino espetacular, se fundindo com seu deus em uma espécie de comunhão ritualística por meio de sacrifícios humanos. A estrutura de seus delírios se mostra sistematizado, bem organizado e rico em detalhes. Podemos observar, por exemplo, que após selecionar a família que vai atacar devido a vulnerabilidade da segurança da casa que  ele analisa no vídeos caseiros, ele programa seus assassinatos com base nas fases da lua, chegando a ir dias antes do ataque para matar os animais domésticos para evitar que seja denunciado no dia do ataque.

Outro fator a se observar em relação a sua sistematização deliróide é que além de suas ações serem bem planejadas e coordenadas como Dragão são muito bem estruturadas. Depois de matar suas vítimas as coloca ritualisticamente ao redor da cama principal e se envolve em atos necrofilia com os cadáveres das mães colocando cacos de espelho nos olhos de suas vítimas para que elas possam ver sua própria "transformação" no Dragão, podendo-se observar que seus delírios além da organização são ricos em detalhes. E ainda são crônicos por já o acompanharem a muito tempo, possuindo até um diário a muito tempo utilizado que retrata as suas convicções em relação a seu papel em meio como ele mesmo descreve a grande mudança que o levará a se tornar “um” com seu deus.   

Pode-se, portanto verificar que o conteúdo do delírio do paciente são de grandeza pois acredita ser especial, tendo o privilégio de entrar em comunhão se fundindo com um ser místico o “Dragão Vermelho”, dotado de poderes, tendo como destino final se tornar um “deus entre os homens”. E finalmente constata-se também delírio de ciúme ou infidelidade, pois ao observar sua namorada Reba McClane  chegando com um colega de trabalho em casa após um jantar, mesmo sem nada acontecer de fato, acreditou de maneira convicta ter sido traído, falando posteriormente para ela após sequestrá-la e amarra-la que o havia engando e magoado.

Observa-se pragmatismo no paciente, pois busca realizar suas tarefas e anseios, seja em sua vida social, sendo um bom funcionário em sua empresa, elogiado por seus supervisores, ou convidando sua colega de trabalho e interesse romântico Reba McClane  para sair. E mesmo em sua persona deliróide que assume a identidade do Dragão Vermelho o vemos agir de forma disciplinada e focada como foi supramencionado.

          O processo de volição demonstra intenção e propósito, pois ele se mostra capaz de esboçar a ação a ser tomada, ponderar e deliberar sobre o percurso da ação indo para a resolução e execução da ação.   Como dito acima desde a escolha da casa, o momento adequado para atacar e os rituais que se sucedem, pode-se verificar que o paciente sabe direcionar de forma categórica a seus objetivos. Mesmo em seu dia a dia vemos sua capacidade de planejamento e execução, o paciente Dollarhyde chegou a planejar a visita de sua colega de trabalho que era seu interesse romântico para ter contato com um leopardo no zoológico depois de em outro momento dias antes ela falar que não lembrava como era animal, já que a ultima vez que viu a imagem de um foi quando criança antes da cegueira.    A sua impulsividade seguem atos de vontade, pois se mostra plenamente consciente do fim, conhece meio e consequências, sabendo que seus atos podem agradar como no caso do leopardo no zoológico envolvendo sua colega Reba, ou quando citou ter devorado o quadro “O grande Dragão Vermelho e a mulher vestida como o sol” do artista William Blake no museu, ou mesmo quando planejava o ataque a novas vítimas.

Em consonante com a afetividade do paciente se mostra de maneira variável: ora demonstra estabilidade, incólume a estímulos menores, como quando resolve agir como Dragão Vermelho atacando pessoas. Ora constata-se ressonância como suas ações em relação a sua colega Reba que ele tende a responder as atitudes de afeto dele com demonstração de carinho e dedicação. E disforia, o paciente se mostra de maneira agressiva quando confrontado, como no caso em que ele é  abordado pelo dono da banca de jornal que mostra-se irritado pelo paciente Dollarhyde chegar muito cedo para comprar o jornal antes dele desempacotá-los, e o paciente lhe mostra um estilete para confrontar e intimida-lo. Ou ainda quando se irritou com o artigo do jornal Freddy Lounds do The Tattler  onde o jornalista Freddy Lounds descreve sua persona como Dragão Vermelho de forma pejorativa também respondendo a essa situação de forma extremamente agressiva matando o jornalista, ou quando viu Reba chegando em casa após jantar com um colega de trabalho despertando ciúme e muita raiva, acreditando que ela o estava magoado de propósito.

Hipomodulação do afeto também é evidenciado devido incapacidade do paciente de modular a resposta afetiva de acordo em certas situações vivencial correspondente, indicando rigidez do paciente em relação ao mundo, como o ato de matar as famílias lhe traz regozijo, quando tal ideia deveria lhe trazer repudio e tristeza.  Assim como paratimia devido a sua incongruência entre a esfera afetiva e ideativa, pois se vê momentos onde o paciente, por exemplo, se mostra apaixonado por sua colega Reba demonstrando carinho e lhe fazendo surpresa, e no momento seguinte a expulsa do carro de maneira abrupta falando que vai viajar, e posteriormente decide sequestra-la.
 
 
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quinta-feira, 10 de junho de 2021

O que é Possessão para a ciência?

A possessão é um fenômeno tão antigo  quanto a humanidade, existem relatos históricos em quase todas as civilizações antigas. Tal fenômeno social apesar de sua anormalidade intrínseca é mais comum do que se pode imaginar e não poderia ser ignorado pela ciência.

Assim sendo, como veremos nesta matéria não só é um fenômeno reconhecido e estudado clinicamente, como também são definidos seus sintomas e possíveis tratamentos médicos. 

 
Homem possuído no hospital Miguel Couto - RJ.

 

Perda de identidade?

Áudio do caso de possessão de Emily Rose.
 

Como vimos acima desde o começo da humanidade existem relatos sobre possessão, em diversas culturas. Porém sempre era associada a presença de alguma entidade malévola que estaria ocupando o corpo de determinada pessoa. A pessoa possuída pode apresentar comportamento diferente do habitual, voz alterada, ouvir vozes, ver coisas que mais ninguém consegue ver no ambiente, e até mesmo apresentar uma força fora do normal, mas o que poderia ser isso? O fato é que diversos problemas neurológicos podem causar perda de identidade, memórias, alucinações, delírios e fala incompreensível, então contextualizar simplesmente como um evento que necessita de intervenção religiosa pode ser muito prejudicial para a pessoa, pois poderia priva-la de uma ajuda efetiva caso seja constatado algum problema clínico.

                                                   Filme "Exorcista", baseado em fatos reais.

Historicamente o "delírio espírita episódico" era uma doença frequente e responsável por 5% a 10% das internações psiquiátricas. Atualmente episódios de transtorno dissociativo (divisão da própria cognição e identidade) foram identificados em 11% dos adultos durante sua vida e com prevalência de 6%/ano.

O transtorno de transe e possessão(CID-10) ou Transtorno de Transe Dissociativo(DSM-IV) é um transtorno dissociativo caracterizado por uma perda transitória da consciência de sua própria identidade, associada a uma conservação perfeita da consciência do meio ambiente. Deve ficar claro que: 

"Apenas estados de transe involuntários e não desejados são considerados transtorno, não deve ser classificado como doença quando ocorre apenas em situações adequadas ao contexto cultural ou religioso do sujeito."


 

Possíveis Causas

O Transtornos dissociativos geralmente ocorrem em relação temporal estreita com eventos traumáticos, problemas insolúveis e insuportáveis, ou relações interpessoais difíceis. Ocorre uma cisão (divisão) do ego(identidade pessoal) e uma nova personalidade com lembranças, consciência, identidade, percepção e controle dos movimentos corporais peculiares é formada. Esse fenômeno é conhecido como transtorno de despersonificação ou como transtornos egodistônicos.

Podem ser causadas por sugestão, sendo relacionado a sugestionabilidade do indivíduo, como uma hipnose ou, em casos mais graves, uma lavagem cerebral. O impacto e eficiência da sugestão é proporcional ao quanto a ideia sugerida atende às necessidades emocionais do individuo e de sua cultura. Ou seja, quanto mais emocionalmente e psicologicamente abalado, com vida social e familiar insatisfatória, ansioso por aprovação social, impulsivo e emotivos mais sugestionável.

Também podem ser causados por excesso e falta de neurotransmissores de forma similar a esquizofrenias e delírios. Especialmente desregulação nas vias de dopamina, serotonina e catecolamina atuando em áreas relacionadas ao autocontrole, percepção, raciocínio e cinestesia.

 

Sinais e sintomas

                                       Criança apresentando sinais de possessão.
 

Os sinais e sintomas são muito similar a um transtorno de "múltiplas personalidades", mas possuem forte questão espiritual, cultural e social envolvidas. No transtorno de Transe Dissociativo assim como no transtorno dissociativo de identidade (vulgarmente conhecido como múltiplas personalidades) as principais características são a perda parcial ou completa das funções normais de integração das lembranças, da consciência, da identidade e das sensações imediatas, e do controle dos movimentos corporais. Assim, a "possessão" é como uma nova personalidade criada pela própria pessoa com suas peculiaridades, tom de voz, gostos, controle de movimentos, identidade e lembranças distintos.

 

Diagnóstico

Basicamente a diferença entre possessão saudável e transtorno que requer tratamento é o quanto de prejuízo ele causa.

 

a. Sinais que é apenas uma experiência cultural:

    Ausência de sofrimento psicológico;

    Ausência de prejuízos significativos sociais, escolar ou no trabalho;

    A experiência tem duração curta e ocorre episodicamente;

    Atitude crítica sobre a realidade objetiva da experiência;

    Compatibilidade da experiência com o grupo cultural ou religioso do indivíduo;

    Não associado com outros transtornos psicológicos;

    A experiência gera crescimento pessoal;

    A experiência é controlada;

    É uma experiência social.

 

b. Sinais que é um transtorno psicótico ou dissociativo com conteúdo religioso:

    Causa sofrimento;

    Causa prejuízo social, escolar ou no trabalho;

    Associado a outros sintomas psiquiátricos;

    Incongruente com a religião e cultura do indivíduo;

    Involuntário;

    Desestruturante;

    Indesejado;

    Persistente;

 

Observação importante:

Até hoje convulsões, psicoses e transtornos dissociativos são confundidos com possessão demoníaca e as vítimas sofrem com preconceito, tortura ou assassinadas por ignorância dos observadores.

Estar fazendo tratamentos espirituais não impede tratamentos psicológico e psiquiátrico de serem feitos simultaneamente. O critério recomendado por médicos e psicólogos para diferenciar possessões que precisam ou não de tratamento é o quanto de sofrimento, perigo e prejuízo eles causam: Quanto mais prejudiciais e frequentes forem os episódios mais urgente a necessidade de tratamento.

Dentre os pacientes tratados 67% conseguem fazer uma reintegração social e cognitiva saudável e estável em uma média de 21.6 meses. A maioria dos que continuam instáveis e desintegrados demonstram melhora significativa. A recomendação médica é de 3 sessões de 1h por semana iniciais de psicoterapia dinâmica e pelo menos uma sessão por semana após o indivíduo alcançar maior estabilidade durante 2 anos. Pode durar mais caso o paciente não esteja produtivo e saudável ao final de 2 anos.


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terça-feira, 8 de junho de 2021

Serial Killers: Dean Corll, Candy Man


Nesta matéria vamos falar sobre Dean Arnold Corll, que foi um serial killer americano que sequestrou , estuprou , torturou e matou pelo menos 28 adolescentes e jovens entre 1970 e 1973 em Houston , Texas. Corll também era conhecido como o Homem dos Doces, porque ele e sua família possuíam e operavam uma fábrica de doces em Houston Heights , e ele era conhecido por dar doces de graça para crianças locais.


Histórico

Candyman e seu cúmplice  Elmer Wayne Henley Jr.

Dean Arnold Corll nasceu em 24 de dezembro de 1939. O pai de Corll era rigoroso com seus filhos, enquanto sua mãe, Mary Corll, era protetora. O casamento dos seus pais foi marcado por brigas frequentes, e o casal se divorciou em 1946, quatro anos após o nascimento de seu filho mais novo, Stanley Wayne Corll.  Mary Corll posteriormente vendeu a casa da família e se mudou para um trailer em Memphis no Tennessee, onde o ex-marido Arnold Corll havia sido convocado para a Força Aérea dos EUA, após o divórcio, para que seus filhos pudessem permanecer em contato com o pai.

Dean Corll era uma criança tímida e séria, que raramente se socializava com outras crianças, mas ao mesmo tempo demonstrava preocupação com o bem-estar dos outros. Aos sete anos de idade, ele sofreu de febre reumática,  os médicos descobriram que Corll tinha um sopro cardíaco em 1950. Como resultado desse diagnóstico, Corll recebeu ordens para evitar exercícios físicos na escola.

Os pais de Corll tentaram se reconciliar e se casaram novamente em 1950, posteriormente se mudando para Pasadena , Texas ; no entanto, a reconciliação durou pouco e, em 1953, o casal se divorciou mais uma vez, com a mãe novamente mantendo a custódia de seus dois filhos. O divórcio foi concedido por motivos amigáveis ​​e os dois meninos mantiveram contato regular com o pai.

Após o segundo divórcio, a mãe de Corll se casou com um vendedor de relógios chamado Jake West. A família mudou-se para a pequena cidade de Vidor , onde a meia-irmã de Corll, Joyce, nasceu em 1955. Mediante conselho de um vendedor de nozes, a mãe e o padrasto de Corll começaram uma pequena empresa de doces familiares chamada 'Pecan Prince', operando inicialmente na garagem de sua casa. Desde os primeiros dias no ramo de doces, Corll trabalhava dia e noite enquanto ainda frequentava a escola. Ele e seu irmão mais novo receberam a responsabilidade de administrar as máquinas de fazer doces e embalar o produto.

De 1954 a 1958, Corll frequentou a escola Vidor, onde era considerado um aluno bem-comportado, que obteve notas satisfatórias. Como tinha sido o caso em sua infância, Corll também era considerado um tanto solitário, embora  conhecido por ocasionalmente namorar garotas na adolescência. No ensino médio, o único grande interesse de Corll era a banda, na qual ele tocava trombone. 
 
Corll, retratado com sua meia-irmã, Joyce West, por volta de 1960.
 


Corll se formou na Vidor no verão de 1958. Pouco tempo depois, ele e sua família se mudaram para os arredores do norte de Houston para que o negócio de doces da família pudesse ficar mais perto da cidade onde a maioria de seus produtos era vendida. A família de Corll abriu uma nova loja. Em 1960, a pedido de sua mãe, Corll se mudou para Indiana para morar com sua avó viúva. Durante esse período, Corll estabeleceu um relacionamento próximo com uma garota local, embora ele tenha rejeitado uma proposta de casamento subsequente que ela fez a ele em 1962. Corll viveu em Indiana por quase dois anos, mas retornou a Houston em 1962 para ajudar com os cuidados de sua família no negócio de doces, que nessa data havia se mudado para Houston Heights. Mais tarde, ele se mudou para um apartamento próprio acima da loja.

A mãe de Corll se divorciou de Jake West em 1963 e abriu um novo negócio de doces, que ela chamou de 'Corll Candy Company'; seu filho mais velho foi nomeado vice-presidente da nova empresa da família, com seu irmão mais novo Stanley sendo nomeado secretário-tesoureiro. No mesmo ano, um dos funcionários adolescentes da Corll Candy Company reclamou com a mãe de Corll que Corll havia feito avanços sexuais em relação a ele. Em resposta, Mary West demitiu a adolescente. 
 
Serviço do Exército dos EUA

Corll foi convocado para o Exército dos Estados Unidos em 10 de agosto de 1964, e designado para Fort Polk, Louisiana, para treinamento básico. Mais tarde, ele foi designado para Fort Benning, na Geórgia, para treinar como reparador de rádio antes de sua missão permanente em Fort Hood, Texas. De acordo com os registros militares oficiais, o período de serviço de Corll no exército era impecável. Corll, no entanto, supostamente odiava o serviço militar; ele solicitou uma dispensa por alegar que era necessário nos negócios de sua família. O exército concedeu seu pedido e ele recebeu uma dispensa honrosa em 11 de junho de 1965, após dez meses de serviço. 
 
Corll, 24 anos, logo após seu alistamento nas Forças Armadas dos EUA em agosto de 1964.
 

Segundo informações, Corll divulgou a alguns de seus conhecidos próximos, após sua liberação do Exército dos Estados Unidos, que foi durante seu período de serviço que ele percebeu que era homossexual e experimentou seus primeiros encontros homossexuais. Outros conhecidos notaram mudanças sutis nos maneirismos de Corll quando na companhia de adolescentes do sexo masculino depois que ele completou seu serviço no exército e voltou a Houston, o que os levaram a acreditar que ele poderia ter sido homossexual. 
 
Corll Candy Company

Após sua honorável dispensa do exército, Corll retornou a Houston Heights e retomou a posição que ocupara como vice-presidente do ramo de doces de sua família. O ex-padrasto de Corll havia retido a propriedade do antigo negócio de doces da família após o divórcio de sua mãe em 1963, e a concorrência entre as duas empresas era acirrada. Como havia acontecido na adolescência, Corll aumentou o número de horas que dedicou ao negócio de doces para satisfazer uma crescente demanda pública pelo produto de sua família.

Em 1965, a Corll Candy Company mudou-se para a 22nd Street, do outro lado da rua da escola Helms. Sabia-se que Corll dava doces de graça para crianças locais, em particular meninos adolescentes. Como resultado desse comportamento, ele ganhou os apelidos de Candy Man e Pied Piper. A empresa empregava uma pequena força de trabalho e ele foi visto se comportando de maneira paqueradora em relação a vários funcionários adolescentes do sexo masculino. Sabe-se que Corll instalou uma mesa de bilhar na parte de trás da fábrica de doces, onde empregados e jovens locais se reuniam. 
 
Amizade com David Brooks

Em 1967, Corll fez amizade com David Owen Brooks, de 12 anos, então um estudante da sexta série de óculos e uma das muitas crianças a quem ele deu doces de graça. Brooks inicialmente se tornou um dos muitos jovens companheiros próximos de Corll, socializando regularmente com Corll e vários adolescentes que se reuniam na parte de trás da empresa de doces. Ele também se juntou a Corll nas viagens regulares que fazia às praias do sul do Texas, na companhia de vários jovens, e depois comentou que Corll foi o primeiro homem adulto que não zombou de sua aparência. Sempre que Brooks disse a Corll que ele precisava de dinheiro, Corll deu-lhe dinheiro e os jovens começaram a ver Corll como uma figura paterna. A pedido de Corll, um relacionamento sexual se desenvolveu gradualmente entre os dois. A partir de 1969, Corll pagava a Brooks em dinheiro ou em presentes para que ele realizasse felação.

Os pais de Brooks eram divorciados; seu pai morava em Houston e sua mãe havia se mudado para Beaumont, uma cidade a 140 quilômetros a leste de Houston. Em 1970, quando tinha 15 anos, Brooks abandonou a escola Waltrip e mudou-se para Beaumont para morar com sua mãe. Sempre que visitava seu pai em Houston, também visitava Corll, que lhe permitia ficar em seu apartamento, se assim o desejasse. Mais tarde, no mesmo ano, Brooks voltou para Houston. Posteriormente, Brooks começou a considerar o apartamento de Corll como sua segunda casa.

Quando Brooks abandonou o ensino médio, a mãe de Corll e Joyce, sua meia-irmã, haviam se mudado para o Colorado após o fracasso de seu terceiro casamento e o fechamento da empresa de doces da família em junho de 1968. Embora ela frequentemente falasse para o filho mais velho ao telefone, sua mãe nunca mais o viu.

Após o fechamento da empresa de doces, Corll conseguiu um emprego como eletricista na Houston Lighting and Power Company, onde testava sistemas de relés elétricos.  Ele trabalhou nesse emprego até o dia em que foi morto por Elmer Wayne Henley. 
 
Assassinatos

Vítimas de Dean Arnold Corll.

Entre 1970 e 1973, Corll é conhecido por ter matado um mínimo de 28 vítimas. Todas as suas vítimas eram homens com idades entre 13 e 20 anos, a maioria dos quais na metade da adolescência. A maioria das vítimas foi sequestrada de Houston Heights, que era um bairro de baixa renda a noroeste do centro de Houston. Na maioria dos seqüestros, ele foi assistido por um ou dois de seus cúmplices adolescentes: Elmer Wayne Henley e David Owen Brooks. Várias vítimas eram amigas de um ou de ambos os cúmplices de Corll; outros eram indivíduos que Corll conhecera antes do sequestro e assassinato,  e duas outras vítimas, Billy Baulch e Gregory Malley Winkle, eram ex-funcionários da Corll Candy Company.

As vítimas de Corll eram geralmente atraídas para um dos dois veículos que ele possuía (uma van Ford Econoline e uma Plymouth GTX ) ou um Chevrolet Corvette 1969 que ele havia comprado para David Brooks no início de 1971. Eram convidados para uma festa e era prometido que posteriormente seriam levados  para suas casa. Na residência de Corll, eram servidos aos jovens  álcool ou outras drogas até que desmaiassem, eram posteriormente enganados para colocar algemas,  ou simplesmente agarrados à força. Depois,  despidos e amarrados à cama de Corll ou, geralmente a uma placa de de madeira compensada, que era regularmente pendurada na parede. Uma vez algemadas, as vítimas seriam agredidas sexualmente, espancadas, torturadas e, algumas vezes depois de vários dias, mortas por estrangulamento ou tiro com uma pistola calibre 22. 
 
Seus corpos eram  então embalados em folhas de plástico e enterrados em um dos quatro lugares: um barco alugado; uma praia na península de Bolivar; uma floresta perto do lago Sam Rayburn (onde a família de Corll possuía uma cabana de madeira à beira do lago); ou uma praia no condado de Jefferson.

Em vários casos, Corll forçou suas vítimas a telefonar ou escrever para os pais com explicações para suas ausências, em um esforço para amenizar o medo dos pais pela segurança de seus filhos. Sabe-se que Corll também guardava lembranças de suas vítimas. Durante os anos em que ele sequestrou e matou suas vítimas, Corll frequentemente mudava de endereço.
 

Participação de Elmer Wayne Henley

No inverno de 1971, Brooks apresentou Elmer Wayne Henley a Dean Corll. Henley provavelmente foi atraído para o endereço de Corll como uma vítima pretendida. No entanto, Corll evidentemente decidiu que o jovem seria um bom cúmplice e ofereceu a ele a mesma taxa: US $ 200 para qualquer garoto que ele pudesse atrair para seu apartamento. 

Henley afirmou mais tarde que, por vários meses, ignorou a oferta de Corll. No entanto, no início de 1972, ele decidiu aceitar a oferta porque ele e sua família estavam em péssimas condições financeiras. Henley disse que o primeiro sequestro em que ele participou ocorreu durante o período em que Corll residia na 925 Schuler Street, um endereço para o qual Corll se mudou em fevereiro de 1972. 

Em 3 de agosto de 1973, Corll matou sua última vítima, um garoto de 13 anos do sul de Houston chamado James Stanton Dreymala. Dreymala foi sequestrado por Brooks e Corll enquanto andava de bicicleta em Pasadena e dirigido para Lamar Drive sob o pretexto de coletar garrafas de vidro vazias para revender.  Na casa de Corll, Dreymala foi amarrada à prancha de tortura de Corll, estuprado, torturado e estrangulado com uma corda. Mais tarde, David Brooks descreveu Dreymala como um "garoto loiro e pequeno" para quem ele havia comprado uma pizza e em cuja companhia ele havia passado 45 minutos antes de o jovem ser atacado.

Na noite de 7 de agosto de 1973, Henley, de 17 anos, convidou Timothy Cordell Kerley, de 19 anos, para participar de uma festa na residência de Corll em Pasadena. Kerley, um conhecido casual de Corll que deveria ser sua próxima vítima, aceitou a oferta.  David Brooks não estava presente no momento. Os dois jovens chegaram à casa de Corll, onde cheiraram vapores de tinta e beberam álcool até meia-noite antes de sair de casa para comprar sanduíches. Henley e Kerley voltaram para Houston Heights e Kerley estacionou seu veículo perto da casa de Henley. Henley saiu do veículo e caminhou em direção à casa de Rhonda Louise Williams, 15 anos, uma amiga dele que havia sido espancada por seu pai bêbado naquela noite e que havia decidido sair temporariamente de casa até que seu pai ficasse sóbrio. Henley convidou Williams para passar a noite na casa de Corll; Williams concordou. O trio seguiu em direção à residência de Corll em Pasadena.

Aproximadamente às três horas da manhã de 8 de agosto de 1973, Henley e Kerley, acompanhados por Williams, retornaram à residência de Corll. Corll ficou furioso por Henley ter levado uma garota para sua casa, dizendo em particular que ele "arruinou tudo". Henley explicou que Williams havia discutido com o pai naquela noite e não queria voltar para casa. Corll pareceu se acalmar e ofereceu ao trio cerveja e maconha. Os três adolescentes começaram a beber e a fumar maconha, com Henley e Kerley também cheirando vapores de tinta enquanto Corll os observava atentamente. Depois de aproximadamente duas horas, Henley, Kerley e Williams desmaiaram.
 
O tiroteio

Henley acordou e se viu deitado de bruços e Corll colocando as algemas nos pulsos. A boca dele estava fechada com fita adesiva e os tornozelos unidos. Kerley e Williams estavam ao lado de Henley, amarrados firmemente com corda de nylon, amordaçados com fita adesiva e deitados de bruços no chão. Kerley tinha sido despido.

Observando que Henley havia acordado, Corll removeu a mordaça da boca. Henley protestou em vão contra as ações de Corll, quando Corll reiterou que estava zangado com Henley por trazer uma garota para sua casa e que ele mataria todos os três adolescentes depois de ter agredido e torturado Kerley: " Eu vou matar todos vocês! Mas primeiro eu vou me divertir!" Ele então chutou repetidamente Williams no peito antes de arrastar Henley para sua cozinha e colocar uma pistola calibre 22 contra seu estômago, ameaçando atirar nele. Henley acalmou Corll, prometendo participar da tortura e assassinato de Williams e Kerley se Corll o libertasse. Corll concordou e desamarrou Henley, depois levou Kerley e Williams para o quarto e amarrou-os a lados opostos de sua prancha de tortura: Kerley de bruços; Williams nas costas dela.

Corll então entregou a Henley uma faca de caça e ordenou que ele cortasse as roupas de Williams, insistindo que enquanto ele estupraria e mataria Kerley, Henley faria o mesmo com Williams.  Henley começou a cortar as roupas de Williams quando Corll se despiu e começou a agredir e torturar Kerley. Kerley e Williams haviam despertado nesse momento. Kerley começou a se contorcer e gritar quando Williams, cuja mordaça Henley havia removido, levantou a cabeça e perguntou a Henley: "Isso é real?" ao qual Henley respondeu: "Sim". Williams então perguntou a Henley: "Você fará algo a respeito?"

Henley perguntou a Corll se ele poderia levar Williams para outra sala. Corll o ignorou e Henley pegou a pistola de Corll, gritando: "Você foi longe o suficiente, Dean!"Enquanto Corll subia em Kerley, Henley falou: "Não posso mais continuar! Não posso deixar você matar todos os meus amigos!" Corll se aproximou de Henley, dizendo: "Mate-me, Wayne!" Henley recuou alguns passos como Corll continuou a avançar sobre ele, gritando: "Você não vai fazer isso!" Henley, em seguida, disparou contra Corll, atingindo-o na testa. A bala não conseguiu penetrar completamente o crânio de Corll, e continuou a caminhar em direção a Henley, quando o joven disparou mais duas vezes, atingindo Corll no ombro esquerdo. Corll saiu correndo da sala, atingindo a parede do corredor. Henley disparou mais três tiros na parte inferior das costas e no ombro enquanto Corll deslizava pela parede no corredor do lado de fora da sala onde os outros dois adolescentes estavam presos. Corll morreu onde caiu, seu corpo nu deitado de frente para a parede.

Depois de atirar em Corll, Henley libertou Kerley e Williams, e os três adolescentes se vestiram e discutiram quais ações deveriam ser tomadas. Henley sugeriu a Kerley e Williams que eles simplesmente partissem, e Kerley respondeu: "Não, devemos chamar a polícia". Henley concordou e procurou o número da polícia de Pasadena na lista telefônica de Corll.
 
Entrando em contato com a polícia

Às 8h24 do dia 8 de agosto de 1973, Henley telefonou para a polícia de Pasadena. Sua chamada foi atendida por um operador chamado Velma Lines. Em sua ligação, Henley deixou escapar para o operador: "É melhor você vir aqui agora! Acabei de matar um homem!" Henley deu o endereço ao operador como 2020 Lamar Drive, Pasadena. Enquanto Kerley, Williams e Henley esperavam na varanda de Corll que a polícia chegasse.

Minutos depois, um carro da polícia de Pasadena chegou em 2020 Lamar Drive. Os três adolescentes estavam sentados na varanda do lado de fora da casa, e o policial notou a pistola calibre 22 na calçada perto do trio. Henley disse ao policial que ele era a pessoa que havia feito a ligação e indicou que o corpo de Dean Corll estava dentro da casa.

Depois de confiscar a pistola e colocar Henley, Williams e Kerley dentro do carro de patrulha, o policial entrou no bangalô e descobriu o corpo de Corll dentro do corredor. O policial voltou para o carro e leu a Henley os direitos de Miranda. Em resposta, Henley gritou: "Não me importo com quem sabe! Tenho que tirar isso do peito!"

Mais tarde, Kerley disse aos detetives que, antes que o policial chegasse a Lamar Drive, Henley o informara: "Se você não fosse meu amigo, eu poderia ter ganho US $ 200 por você". 
 
Confissão


Sob custódia no Departamento de Polícia de Pasadena, Henley foi inicialmente questionado em relação ao assassinato de Dean Corll. Ele contou os eventos da noite anterior e daquela manhã; explicando que ele atirou em Corll em legítima defesa. As declarações de Kerley e Williams corroboram o relato de Henley, e o detetive que interrogava Henley acreditava que ele realmente agira em legítima defesa.

Quando questionado sobre sua afirmação de que, como Corll o tinha ameaçado naquela manhã ele havia gritado que tinha matado vários meninos, Henley explicou que durante quase três anos, ele e David Brooks tinha ajudado Adquirir rapazes adolescentes, alguns dos quais tinham sido os seus próprios amigos, por Corll, que os estupraram e os assassinaram. Henley fez uma declaração verbal; afirmando que ele inicialmente acreditava que os garotos que ele sequestrara seriam vendidos para uma organização sediada em Dallas para "atos homossexuais, sodomia, talvez até mais tarde matar" mas logo soube que Corll estava matando as vítimas. Henley admitiu que havia ajudado Corll em vários sequestros e assassinatos e que havia participado ativamente da tortura e mutilação de "seis ou oito" vítimas antes do assassinato. A maioria das vítimas havia sido enterrada em um galpão de barco no sudoeste de Houston; com outros enterrados no lago Sam Rayburn e High Island Beach. Corll pagou até US $ 200 por cada vítima que ele ou Brooks foram capazes de atrair para o seu apartamento.

A polícia inicialmente era cética em relação às alegações de Henley, supondo que o único homicídio do caso fosse o de Corll, que eles atribuíam como resultado de brigas com drogas que haviam se tornado mortal. Henley foi bastante insistente, no entanto, e ao recordar os nomes de três meninos: Cobble, Hilligiest e Jones, que ele afirmou que ele e David Brooks haviam adquirido para Corll, a polícia aceitou que havia algo em suas alegações, pois todos os três adolescentes foram listados como desaparecidos na polícia de Houstonquartel general. David Hilligiest fora desaparecido no verão de 1971; os outros dois meninos estavam desaparecidos há apenas duas semanas. Além disso, o chão da sala onde os três adolescentes haviam sido amarrados estava coberto com uma grossa folha de plástico. A polícia também encontrou uma prancha de tortura de compensado medindo 2,44 x 0,91 m com algemas presas à corda de nylon nos dois cantos e cordas de nylon nos outros dois. Também encontrado no endereço de Corll foram uma grande faca de caça, rolos de plástico transparente do mesmo tipo utilizado para cobrir o chão, um rádio portátil equipado com um par de células secas para se obter aumento de volume, um motor elétrico motor com fios soltos conectados, oito pares de algemas, vários dildos, tubos de vidro finos e cordas.

A van Ford Econoline de Corll estacionada na entrada da garagem transmitia uma impressão semelhante. As janelas traseiras da van estavam fechadas por cortinas azuis opacas. Na parte traseira do veículo, a polícia encontrou um rolo de corda, uma amostra de tapete bege coberto de manchas de terra e uma caixa de madeira com furos de ar nas laterais. As paredes do pegboard dentro da traseira da van foram equipadas com vários anéis e ganchos. Outra caixa de madeira com furos de ar perfurados nas laterais foi encontrada no quintal de Corll. Dentro deste caixote havia vários fios de cabelo humano. Oficial de polícia de Houston que descreve as ações de Henley ao conduzir a polícia ao barco de Corll no dia 8 de agosto:
 
"Ele (Henley) começou a dar um passo para dentro (o galpão do barco), mas então seu rosto ficou pálido, pálido, sombrio ... ele cambaleou do lado de fora da porta. Foi então que eu soube que haveria corpos dentro esse galpão. "


Julgamentos, condenações e encarceramentos

Elmer Wayne Henley e David Owen Brooks foram julgados separadamente por seus papéis nos assassinatos. Durante o julgamento, o Estado apresentou oitenta e duas evidências, incluindo o conselho de tortura de Corll e uma das caixas usadas para transportar as vítimas. Dentro da caixa, a polícia encontrou cabelos que os examinadores concluíram serem de Charles Cobble e Wayne Henley. A conselho de seu advogado de defesa, Henley não se posicionou para testemunhar. Seu advogado de defesa, Will Gray, interrogou várias testemunhas, mas não chamou nenhuma testemunha ou especialista para a defesa.

Em 15 de julho de 1974, ambos os conselhos apresentaram seus argumentos finais ao júri: a promotoria que busca prisão perpétua ; a defesa um veredicto de inocente. Em seu argumento final ao júri, a promotora Carol Vance pediu desculpas por não ter conseguido a pena de morte, acrescentando que o caso foi o "exemplo mais extremo de desumanidade do homem para com o homem que eu já vi".

Henley está cumprindo sua sentença de prisão perpétua e está encarcerado na Unidade Mark W. Michael, no Condado de Anderson, Texas, Brooks cumpriu sua sentença de prisão perpétua na Unidade Terrell, perto de Rosharon, Texas, antes de sua morte em um hospital de Galveston , em 28 de maio de 2020. Sua morte foi declarada relacionada à COVID-19 .




Modus Operandi
 

Corll atacou homens entre 13 e 20 anos, todos os quais ele sequestrou com a ajuda de Brooks e Henley. Suas vítimas eram amigos de Henley e / ou Brooks, familiarizados com Corll, ou ex-funcionários da Corll Candy Company. Corll os levaria a sua casa com promessas de álcool ou drogas e, uma vez lá, seriam despidos e amarrados a uma placa de tortura de compensado no quarto de Corll. Eles foram estuprados, espancados e torturados, às vezes por vários dias. Quando ele matava suas vítimas, Corll costumava estrangulá-las ou atirar nelas com uma pistola calibre 22. 

No entanto, a vítima Jeffrey Konen foi asfixiado com um pedaço de pano. Os corpos foram então amarrados em folhas de plástico e enterrados em uma das três valas comuns: sob o barco de Corll no sudoeste de Houston, perto do lago Sam Rayburn, e em High Island Beach.Ocasionalmente, Corll obrigava suas vítimas a telefonar ou escrever cartas para os pais, explicando sua ausência, ajudando a suposição do Departamento de Polícia de Houston de que as vítimas eram fugitivas. Ele também mantinha suas chaves como troféus.



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Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos

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