quarta-feira, 17 de junho de 2020

Transtorno Dissociativo de Personalidade, o que é isso?


O que o personagens Norman Bates da série "Bates Motel", ou Kevin Crumb do filme "Fragmentado", ou ainda o Vilão Ventríquo dos quadrinhos do Batman têm em comum?  Todos estes personagens da ficção sofrem de Transtorno dissociativo de personalidade. Eles assumem ou acreditam ter outras personalidades habitando dentro de si, como outras pessoas em um mesmo corpo.

Nesta matéria vamos entender como funciona este transtorno na vida real e suas variações.


Vários em um


O transtorno de identidade dissociativa, anteriormente chamado transtorno de personalidades múltiplas, é um tipo de transtorno dissociativo caracterizado por  dois ou mais estados de personalidade (também chamados alter egos ou estados do eu ou identidades) que se alternam. Define-se dissociação como um processo mental complexo que promove aos indivíduos um mecanismo que possibilita-os enfrentar situações traumáticas e/ou dolorosas. É caracterizada pela desintegração do ego. 

A integração do ego, sendo o ego o centro da personalidade, pode ser definido como a habilidade de um indivíduo em incorporar à sua percepção, de forma bem-sucedida, eventos ou experiência externas, e então lidar com elas consistentemente através de eventos ou situações sociais. Alguém incapaz disso pode passar por uma desregulagem emocional, bem como um potencial colapso do ego. Em outras palavras, tal estado de desregulagem emocional é, em alguns casos, tão intenso a ponto de precipitar uma desintegração do ego, ou o que, em casos extremos, tem sido diagnosticado como uma dissociação.

O indivíduo que sofre uma dissociação não se desliga totalmente da realidade, ele pode aparentar ter múltiplas personalidades para lidar com diferentes situações. Quando um alter não pode lidar com uma situação particularmente estressante, a consciência do indivíduo acredita estar dando à outra personalidade a chance de eliminar a causa da situação. O transtorno apresenta incapacidade de recordar eventos diários, informações pessoais importantes e/ou eventos traumáticos ou estressantes, todo os quais tipicamente não seriam normalmente perdidos com o esquecimento normal. A causa é quase invariavelmente trauma opressivo na infância.

O personagem Norman Bates da série Bates Motel sofreu abusos do pai na infância.

Em cerca de 90% dos casos verificam-se antecedentes de abuso infantil, estando os restantes casos associados à experiência da guerra ou problemas de saúde durante a infância. Acredita-se que a predisposição genética tenha também um papel. Uma hipótese alternativa sustenta que possa ser um efeito adverso de técnicas usadas por alguns psiquiatras, sobretudo as que envolvem hipnose. Para o diagnóstico de PID é necessário que a condição não possa ser melhor explicada por abuso de substâncias, por crises epilépticas, pela normal imaginação em crianças ou por práticas religiosas.
 
Além de ouvir vozes, pacientes com transtorno dissociativo de identidade podem ter alucinações visuais, táteis, olfativas e gustativas. Dessa forma, os pacientes podem ser diagnosticados erroneamente como psicóticos. Mas esses sintomas alucinatórios diferem das alucinações típicas dos transtornos psicóticos, como esquizofrenia. Pacientes com transtorno dissociativo de identidade sentem esses sintomas como se viessem de uma identidade alternativa (p. ex., como se uma outra pessoa quisesse chorar com seus próprios olhos, ouvir a voz de uma identidade alternativa criticando-os).
 
O grau observável das diferentes identidades varia. Elas tendem a ser mais evidentes quando as pessoas estão sob estresse extremo. O que é conhecido por uma identidade pode ou não ser conhecido por outra, uma identidade pode ter amnésia para eventos vividos por outras identidades. Algumas identidades parecem conhecer e interagir com outras em um mundo interno complexo, e algumas identidades interagem mais do que outras.


Transtorno dissociativo de identidade tem as seguintes formas:

1. Possessão


Na forma de possessão, as identidades geralmente se manifestam como se fossem um agente externo, normalmente um ser ou espírito sobrenatural (mas às vezes outra pessoa), que assumiu o controle da pessoa, fazendo com que a ela fale e aja de uma maneira muito diferente. Nesses casos, as diferentes identidades são muito evidentes (prontamente notadas pelos outros). A nova identidade pode ser de outra pessoa (muitas vezes alguém que morreu, talvez de forma dramática) ou aquela de um espírito sobrenatural (muitas vezes demônio ou deus), que pode exigir punição pelas ações passadas.

 Em muitas culturas, estados de possessão semelhantes são parte normal da prática cultural ou espiritual e não são considerados transtorno dissociativo de identidade. A forma de possessão que ocorre no transtorno dissociativo de identidade difere pelo fato de que a identidade alternativa é indesejada e ocorre involuntariamente, causa muita aflição e deficiência e se manifesta em tempos e lugares que violam as normas culturais e/ou religiosas.


Não Possessão

 
A não possessão tendem a ser menos evidentes. As pessoas podem sentir uma alteração súbita na forma como veem o self, talvez sentindo como se fossem observadores de sua própria fala, emoções e ações, em vez de o agente. Muitos também têm amnésia dissociativa recorrente. Eles podem ter pensamentos repentinos, impulsos e emoções que parecem não pertencer a eles e que podem se manifestar como múltiplos fluxos de pensamento confuso ou como vozes. Algumas manifestações podem ser notadas pelos observadores. Por exemplo, atitudes, opiniões e preferências dos pacientes (p. ex., em relação a alimentos, roupas ou interesses) podem mudar subitamente, então mudar de volta.

O grau observável das diferentes identidades varia. Elas tendem a ser mais evidentes quando as pessoas estão sob estresse extremo. O que é conhecido por uma identidade pode ou não ser conhecido por outra, uma identidade pode ter amnésia para eventos vividos por outras identidades. Algumas identidades parecem conhecer e interagir com outras em um mundo interno complexo, e algumas identidades interagem mais do que outras.
Os principais pontos sobre o transtorno onde não há consenso são:

    Se o transtorno é algo real ou mais um modismo;
    Se real, se a aparência de múltiplas personalidades é real ou ilusória;
    Se real, como pode ser definido em termos psicanalíticos;
    Se pode ou não ser curado;
  Quem deveria definir primeiramente a experiência, os terapeutas ou aqueles que acreditam tê-la.

O personagem Ventríloquo dos quadrinhos do Batman muitas vezes é dominado pela identidade do boneco gangster "O Scarface".



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Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos



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