sexta-feira, 5 de junho de 2020

Legítima Defesa: Autodefesa é uma ciência?


Sim, autodefesa é uma ciência. É a ciência que estuda prevenção e sobrevivência do indivíduo em situações de conflitos. E esta ciência faz uso de diversas técnicas e outras áreas do conhecimento tais como: prevenção, combate urbano, killologia, hoplologia, uso progressivo de força, conhecimento em anatomia e fisiologia humana, conhecimento e uso de arma de fogo, conhecimento sobre a legislação de autodefesa, primeiros socorros, entre várias outras coisas.

Infelizmente mesmo estando no séc XXI, na era da informação onde temos acesso a todo tipo de informação a apenas um clique de distância usando o mouse do computador, ou o smartphone, muitas pessoas preferem ficar presas na sua zona de conforto. Presos em uma época onde autodefesa era sinônimo de exame de faixa e de participação de campeonato. Onde tinhamos uma visão pueril de filmes como "O Grande dragão Branco" ou de rua. E ainda tem aqueles que misturam esoterismo, filosofia, crença em energia cósmica, e outras coisas pertencente a cultura oriental  como nos filmes dos astros de artes marciais Jet Li ou Donnie Yeng acreditando que incorporando esses hábitos vão dar piruetas e bater em trinta pessoas armads com machados como seus heróis orientais. Professores de mal caráter gostam de reforçar estas fantasias para causar envolvimento, interesse e dependência de seus alunos. 

A verdade que estas técnicas usadas nos filmes são coreografadas, pré-treinadas entre os atores que fazem os heróis e os vilões para ter beleza plástica na tela  são muito usadas também em filmes e séries de super-heróis, como Barman e Arrow. Zack Snyder, diretor de Batman versus Superman e 300, domina muito bem esta técnica nas cenas de luta, ele utiliza corte de cinco movimentos em suas cenas de ação. Mas por que em um gênero de filme as pessoas acreditam que é real e no de super-herói reconhece que é fantasia? A resposta como dissemos acima é mais conveniente e fácil continuar na sua zona de conforto do que treinar sério, que é muito mais trabalhoso, cansativo, dolorido, demanda tempo, dedicação, e tem que gostar de ler, pesquisar e aprender.
 

Apesar de muitos praticantes de artes tradicionais não perceberem, as técnicas para montar as cenas de lutas de filmes de artes marciais e de super-heróis é o mesmo: coreografia ensaiada repetidas vezes e cortes rápidos de cenas.



Evolução do Combate Urbano

Na humanidade, temos a evolução dialética histórica, onde cada fato histórico gera uma nova resposta criando novos fatos. Quando foi criada a primeira estrada de ferro na época da Revolução Industrial, houve uma evolução também na parte comercial, pois agora poderia ser transportado minério e madeira com muito mais velocidade, para empresas distantes que produziam diversos novos produtos gerando novos empregos e cargos na época. Outro exemplo importante foi na Era das Trevas, onde o mundo vivia em meio a fatos míticos, e graças à queda do poder da igreja tivemos o Iluminismo nos permitindo migrar para o mundo empírico, onde o homem pode questionar, e assim trilhar o caminho do conhecimento sem ser queimado em uma fogueira.




Paredes com pictogramas demonstrando uma antiga arte marcial de 2800 AC no Cairo.


No mundo das artes marciais é a mesma coisa, desde o início do mundo surgiram diversas formas de defesa pessoal, já que o homem sempre teve a necessidade de se proteger, assim como sua família, e os seus bens. Muitas formas de defesa surgiram e desapareceram sem deixar registro histórico de sua existência. Nós temos registros de artes marciais desde a África antiga de 4800 antes atrás no Cairo, onde pode se ver figuras em posições de defesas e ataques, torções, chaves, e uso de armas como facas e bastões nas paredes em antigas construções.

 
Na Grécia antiga também temos conhecimento do surgimento de diferentes formas de  artes marciais: Pancrácio uma mistura de boxe clássico e luta olímpica com golpes e técnicas de lutas que incluem socos, chutes, cotoveladas, joelhadas, cabeçadas, estrangulamentos, agarramentos, quedas, arremessos, derrubadas, imobilizações, torções, chaves e travamento das articulações; o Pugilanato, que é o antepassado do Boxe, e o Pále também conhecido como wrestling grego, que deu origem ao estilo greco romano moderno. Em várias regiões da terra mesmo aqui no Brasil temos diversas artes marciais, a Capoeira, a Esgrima crioula,  Grappunch,  Haecon-do,  Jiu-jitsu brasileiro,  Karate Machida,  Karate Shubu-Do,  Kombato,  Morganti ju-jitsu, Seiwakai, Tarracá, Aipenkuit, Huka-huka, Idjassú,  Luta marajoara,  Maculelê,  Artes marciais mistas.

 
Mas é fato que vários países, inclusive o Brasil, quando houve a presença do governo ditatorial, as artes marciais não foram bem vistas, a capoeira foi proibida só sendo liberada a sua prática nos anos setenta, já como a capoeira de salão, sem o uso de armas que tinha originalmente como facão, bastão, ou navalha como era utilizada.  Assim como o porte de armas, pois povo armado é um povo que pode se manifestar contra as injustiças do governo, por isso Hitler adotou a política do desarmamento, antes da tomada do poder pelo Nazismo. 

Nesse prisma, houve muitas artes marciais que sumiram, outras para sobreviver se submeteram a exigências do governo local, como por exemplo, deixar de ser uma forma de defesa pessoal, e se tornar uma arte de competição, com muita plasticidade e beleza, mas com pouca ou nenhuma efetividade real. Inclusive com muito investimento estatal nestes estilos, para incentivar a adoção dessa forma de arte com perfil mais folclórico. Décadas depois os praticantes repetem essas mesmas técnicas mecanicamente, sem saber que são movimentos criados apenas para competição e não para realidade das ruas, o que torna muito perigoso, principalmente para o lutador de rua. 

Infelizmente em pleno séc. XXI ainda há aqueles que entendem a autodefesa como uma mistura de arte, esoterismo, filosofia e fantasia como em desenhos japoneses.


Ciência Marcial


Felizmente, atualmente vários grupos de ensino de defesa pessoal incorporaram uma visão científica aos seus cursos: conhecimento em psicologia para poder analisar a situação gestual  do seu oponente, em uma escalada de violência, para saber se deve ou não negociar, fugir ou combater; anatomia e fisiologia humana conhecendo os verdadeiros pontos vitais; noções de criminologia; para saber como a mente dos criminosos funcionam e como atuam; conhecimento ético e legislativo para que seu aluno saiba agir dentro da cidadania, e muitas vezes até mesmo conhecimento em armas de fogo, já que é um absurdo você pensar em aulas de desame de armas se nem mesmo conhece o objeto. Graças a essa evolução esses cursos táticos estão muitos mais acessíveis. 
Sanford Strong foi policial durante  30 anos nos Estados Unidos, e professor de sobrevivencialismo urbano, em seu livro, Defenda-se, Manual de Sobrevivencialismo Urbano, ele cita um comentário de um amigo seu também professor defesa pessoal e policial, sobre instrução de defesa pessoal levando em conta cenário real:

"David Dye é membro do departamento policial de Costa Mesa desde 1967. As principais revistas de artes marciais já escreveram sobre ele, costuma aparecer nas principais redes de TV e é uma autoridade regularmente citada. Na qualidade de faixa-preta de oitavo grau que esta no Hall da Fama das Artes Marciais de todo o mundo, ele ainda dirige sua própria escola.” De Acordo com Dye:

“As Artes Marciais exigem tempo de disciplina - seis anos para conquistar a faixa preta do caratê, com muito suor. Se quiser alguma coisa mais fácil e rápida, as artes marciais não são pra você. Artes Marciais e sobrevivência a crimes são disciplinas muito diferentes. As técnicas de artes marciais vêm sendo usadas desde os séculos 17 e 18. As situações que envolvem crime hoje são muito diferentes e também o tipo de armas usado. Um instrutor de artes marciais que também ensina técnicas de sobrevivência a crimes precisa adaptar as formas tradicionais de tais artes ao mundo atual. Poucos instrutores são peritos nesses dois campos. A eficaz defesa contra o crime requer a criação de cenários de crimes da vida real. O treinamento tem de ser tão real e direto quanto possível, de modo que os alunos se lembrem dele sob a tensão gerada por um ataque de surpresa.

O Objetivo da minha escola é ensinar tanto o lado 'artístico' como o lado 'prático' do assunto, mas sempre separados. O dojo é um ambiente controlado, a rua é tudo, menos isso. Uma vez participei de um seminário de artes marciais para instrutores. O líder do evento puxou uma calibre 12 e a carregou com cartuchos - mas ninguém sabia que eram de festim. Ele se aproximou de um faixa-preta de sumô, encostando a arma em seu rosto. Todos os faixa pretas do recinto ficaram paralisados. Aquele instrutor, com o rifle, deu um pouco de realismo a reunião".

Assim, analisando o trecho acima, a defesa pessoal com certeza evoluiu ao longo da história, e tomaram vários direcionamentos, para aqueles que o foco não é competição ou demonstração de qualquer tipo, que querem apenas se sentir seguros, caso seja necessário se protegerem ou sua família, devem procurar aquelas que evoluíram levando em conta a violência de nosso tempo, pois como eu sempre gosto de falar você tem o direito, o dever e a responsabilidade de proteger a sua integridade física, mental e moral, e dos seus entes queridos, e a Constituição é garantia desse direito, não deixe para quando o lobo chegar.



Lembre-se: O sobrevivencialista e combatente urbano faz seu próprio caminho, é o seu próprio mestre, não procure por um Mestre Yoda pra chamar de seu. Seja questionador, faça cursos em lugares credenciados com profissionais com experiência em área de segurança. Afinal autodefesa é um investimento para proteger a sua vida e daqueles que o cerca. Seja um ronin!!!


Para saber mais sobre combate urbano clique aqui:


https://www.unimars.org/combate-extremo


Dúvidas? Sugestões? Deixem nos comentários. E nos ajude a lutar por uma internet livre onde possamos aprender e compartilhar conhecimento, sem restrição. 

Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos



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