sexta-feira, 5 de junho de 2020

Caso Yoki: Cortado, ensacado e lacrado


Caso Marcos Kitano ou caso Yoki, se refere ao homicídio do empresário brasileiro Marcos Kitano Matsunaga, que ocorreu em 19 de maio de 2012, quando o então CEO da empresa alimentícia Yoki tinha 42 anos de idade.  Foi assassinado com um tiro na cabeça de pistola .380 de sua então esposa, Elize Araújo Kitano Matsunaga, durante uma fervorosa briga do casal por conta das traições de Marcos.

Após disparar contra o marido, Elize percebeu sua morte instantânea, e visando desaparecer com o corpo da vítima, o esquartejou para colocá-lo em três grandes malas de viagem e abandonar em um local que não deixasse suspeitas de seu envolvimento no crime.



O caso


Elize Araújo Kitano Matsunaga, nasceu no dia 29 de novembro de 1981 em uma família pobre na cidade de Chopinzinho, no interior do Paraná com pouco mais de 20 mil habitantes. Criada pela mãe solteira empregada doméstica, passou a infância na cidade e estudou em colégios públicos, onde era tida como boa aluna e não teve problemas de comportamento. Aos 18 anos, Elize se mudou para Curitiba, a 400 quilômetros da sua cidade natal, onde foi fazer um curso técnico de enfermagem e passou a trabalhar em um hospital. 

Pouco tempo depois, se mudou para São Paulo, onde tornou-se uma prostituta, oferecendo seus serviços por um site de relacionamentos. Foi dessa forma que em 2004 Elize conheceu Marcos Kitano, enquanto ele ainda era casado. Marcos era casado, mas manteve relacionamento extraconjugal com Elize durante três anos, até que decidiu se divorciar para casar com a moça, em 2009.


Marco conheceu Elize em um site de acompanhantes.


Marcos Kitano, nasceu na cidade de São Paulo e passou sua infância no bairro de Parque Continental. Estudou nos melhores colégios da região, concluindo seus estudos normais em 1988 no colégio Santa Cruz. Depois disso, Marcos foi estudar Administração na FGV. Sua família, que é herdeira da empresa alimentícia Yoki, fundada pelo avô de Marcos na década de 1960, passou para Marcos o controle da empresa depois de terminar os estudos. Alguns anos depois disso, e já casado, ele conhece Elize por um site de relacionamentos.

 Casamento de Marco e Elize.

O casal viveu em perfeita harmonia até meados de 2010, quando Elize começou a desconfiar que estava sendo traída. Contudo, com sua gravidez, no final de 2010, o casal se reaproximou. Ocorre que nos anos subsequentes, a desconfiança de Elize volta à tona, e, a partir de então, brigas e desentendimentos começaram a fazer parte da vida do casal. Com dúvida acerca das traições, enquanto fazia uma viagem até sua cidade natal, localizada no Paraná, Elize contratou um detetive particular para espionar seu marido e descobrir se realmente estava lhe traindo.

No mesmo dia em que viajou, isto é, no dia 17 de maio de 2012, Marcos jantou em um restaurante de luxo, em São Paulo, com sua amante e passou a noite com ela, no hotel Mercure de Vila Olímpia. O detetive tirou foto do encontro e informou tudo à Elize, que antecipou sua volta da viagem para o dia 19 de maio de 2012, dia em que ocorreu o crime.

De volta à São Paulo, Marcos buscou Elize, a filha do casal de um ano, e a babá no aeroporto, de modo que todos chegaram em casa por volta das 18:30. A babá logo foi dispensada, ficando apenas a família na residência.

Por volta das 19:30, Marcos desceu o elevador para buscar uma pizza, foram suas últimas imagens com vida.

Uma hora depois, por volta das 19h30min, o CEO da Yoki desce até o térreo para buscar uma pizza, ele aparece nas imagens falando ao celular. Segundo a polícia, Marcos Kitano estava falando com o seu pai. Essas são as últimas imagens do empresário vivo. No outro dia, domingo 20, às 5h00min, outra babá chega ao prédio. Elize desce por volta das 11h30min levando três mochilas, segundo Elize, ali estaria o corpo do marido esquartejado. 

A mulher do executivo volta cerca de 12 horas depois, dessa vez, sem as mochilas. Análises no apartamento mostraram que Marcos Kitano foi morto com um tiro na cabeça de uma pistola .380 e que seu corpo foi arrastado, dentro do apartamento, por 15 metros. Trinta armas foram apreendidas no apartamento, segundo Elize, a utilizada no crime fora dada como presente a ela pelo marido. Ela o esquartejou utilizando uma faca de 30cm no quarto da empregada cerca de 12 horas depois do homicídio, o que explica a falta de sangue.

Segundo as declarações de Elize a babá foi dispensada pois ela queria discutir sobre a traição de marcos, porém a discussão ficou acalorada ele a agrediu, temendo pela sua vida já que Marcos estaria perto de uma arma de fogo Elize correu ao outro cômodo da residência atrás de outra arma  que, segundo o que disse em seu depoimento à Polícia, seria apenas para intimidar Marcos. Com a arma de fogo já em suas mãos, apontou para Marcos, o qual, mesmo diante da ameaça, continuou com as ofensas. Elize teria então disparado. O tiro acertou a cabeça de seu marido, que morreu na hora.

Para não levantar suspeitas de seu envolvimento no crime, Elize resolveu se livrar do corpo de Marcos. Como havia feito curso de técnico de enfermagem, conhecia as nuances do corpo humano, razão pela qual resolveu esperar o sangue coagular para que pudesse destrinchar o corpo do marido, sabendo, também, que deveria começar pelas partes em que havia apenas ligamentos, pois seria mais fácil de cortar. Elize esquartejou Marcos em seis partes (cabeça, braços, tórax, pernas). Após isso, colocou seus restos mortais dentro de diferentes sacos de lixo, literalmente “embalando” os pedaços para colocar dentro das malas de viagem, de modo que pudesse sair do prédio sem maiores questionamentos acerca do que carregava.


 Corpo do empresário Marcos kitano Matsunaga.

O corpo foi encontrado no dia 23 de maio de 2012 e encaminhado para as investigações pelo DHPP. No dia 04 de junho de 2012 identificaram que a vítima se tratava do famoso empresário Marcos Kitano Matsunaga, até então desaparecido. Quando as autoridades assistiram os vídeos gravados pela câmera de segurança do prédio em que a família Matsunaga morava, a principal suspeita de ter matado o empresário fora Elize, que confessou o crime. Ainda no dia 04 de junho de 2012 foi decretada a prisão temporária de Elize.

No dia 06 de junho de 2012 a polícia começou a fazer a reconstrução do crime. A acusada estava presente e colaborou, de modo que fora findada apenas no dia posterior, ou seja, 07 de junho de 2012. Quando o prazo da prisão temporária expirou, houve a conversão em prisão preventiva.

Elize permaneceu presa desde o dia 04 de junho de 2012 no presídio de Tremembé, Vale do Paraíba, até o dia de seu julgamento, que aconteceu no dia 05 de dezembro de 2016. Sendo um dos mais longos julgamentos da Justiça de São Paulo, com duração de sete dias, o júri condenou a bacharel em direito Elize Matsunaga a 19 anos, 11 meses e 1 dia de prisão em regime fechado, devido ao homicídio com três qualificadoras, à destruição e ocultação de cadáver de seu marido.

Elize Araújo Kitano Matsunaga condenada a 19 anos, 11 meses e 1 dia de prisão.


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Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos


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