segunda-feira, 22 de junho de 2020

Caso Nardoni: A criança jogada pela janela


O caso Isabella Nardoni refere-se à morte da menina brasileira Isabella de Oliveira Nardoni (São Paulo, 18 de abril de 2002 — São Paulo, 29 de março de 2008), de cinco anos de idade, jogada do sexto andar do Edifício London, situado à Rua Santa Leocádia, nº 138, no distrito da Vila Guilherme, em São Paulo, na noite de 29 de março de 2008.

O caso gerou grande repercussão no Brasil, e Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente pai e madrasta da criança, foram condenados por homicídio doloso qualificado. Com o agravante de parentesco com a vítima, Alexandre cumprirá uma pena de 31 anos, 1 mês e 10 dias. No caso da madrasta, Anna Carolina cumprirá 26 anos e 8 meses de reclusão devido à prática de crime hediondo. A decisão foi proferida pelo Juiz Maurício Fossen, no Fórum de Santana em São Paulo.



O caso


Isabella Nardoni vivia entre duas casas: a da mãe, Ana Carolina Cunha, e a do pai, Alexandre Nardoni. Ela estava sempre sorridente, era uma menina amável e querida por todos que a conheciam, desde os avós maternos, até os irmãos por parte de pai. No dia 29 março de 2008, Isabella, com cinco anos na época, estava passando mais um final de semana na casa do pai, onde sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, seus irmãos mais novos e Alexandre moravam. O apartamento ficava no Edifício London, na Zona Norte de São Paulo.

Tudo parecia bem até que, na madrugada daquele mesmo dia, a polícia foi chamada. Na chamada, foi avisando que um roubo teria acontecido e uma menina teria sido jogada de um dos andares do prédio. Isabella foi encontrada estirada no gramado do prédio, desacordada. Assim que a polícia chegou ao edifício, encontrou Alexandre ao lado do corpo da filha, junto de vizinhos e funcionários do condomínio. A menina foi levada ao hospital infantil, mas morreu no caminho, depois de mais de 30 minutos de tentativas de reanimação. 



De volta ao edifício, os investigadores perguntaram à Alexandre e Anna Carolina o que teria acontecido. Em um primeiro testemunho, o casal alegou que um assaltante teria entrado na casa e jogado Isabella do sexto andar. Os dois não chamaram a polícia em nenhum momento. A morte da menina foi atestada e o casal foi levado para a delegacia, para mais depoimentos. Durante 24 horas de interrogatório, deram sua versão à polícia. A família teria estacionado o carro na garagem do prédio e Alexandre teria subido com Isabella no colo, para depois voltar e ajudar Anna Carolina Jatobá com os outros dois meninos, que dormiam no veículo.

Segundo eles, quando chegaram ao apartamento, encontraram a porta aberta e a tela de proteção do quarto das crianças cortada. Ao olhar para fora, viram a menina estirada no chão do térreo. A polícia, então perguntou sobre pessoas que teriam motivos para roubar a família e matar Isabella. Alexandre e Anna Carolina deram cerca de 23 nomes, entre funcionários e conhecidos. Todos foram interrogados, mas nenhum foi considerado como suspeito. Em seguida, a hipótese de que Isabella teria cortado ela mesma a rede foi logo descartada, considerando que os fios eram muitos resistentes para uma menina de cinco anos.

Durante as investigações, incoerências nos testemunhos do casal começaram a aparecer. O casal foi desmentido diversas vezes, por vizinhos e registros telefônicos. Com novos pontos de vista, descobriu-se que o casal tinha brigas constantes, sempre na presença dos filhos. Mais e mais pistas foram aparecendo: a casa não tinha sinais de arrombamento, o apartamento estava muito bagunçado, não existiam sinais de luta corporal e a polícia encontrou pingos de sangue de Isabella logo na entrada da sala. Além disso, Alexandre e Anna Carolina não perguntaram sobre a menina em qualquer momento.

Resquícios do sangue de Isabella não foram encontrados em mais nenhum lugar no prédio, apenas no carro da família. Durante a autópsia, os legistas determinaram que a pequena foi asfixiada antes mesmo de ser jogada do prédio. Os policiais encontraram, ainda, um corte na testa dela — o que seria a fonte das gotas de sangue. A investigação apontava para o casal como suspeitos.

No dia 3 de abril de 2008, depois de uma cobertura incessante da mídia, o casal foi preso preventivamente. No dia 18, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são indiciados pelo homicídio de Isabella. Pouco tempo depois, em maio de 2008, o juiz aceita a denúncia do Ministério Público e decreta a prisão preventiva dos dois mais uma vez.
Logo no início de 2009, o casal foi condenado por homicídio triplamente qualificado e fraude processual. Pelos crimes, Alexandre foi sentenciado a 31 anos de cárcere, enquanto Anna Carolina recebeu 26 anos, ainda que os dois nunca tenham se declarado culpados. O pai de Isabella Nardoni segue preso em regime fechado até hoje e Anna Carolina, em regime semi-aberto. A madrasta da menina pode sair em datas comemorativas e, atualmente, cumpre sua pena em Tremembé, mesma prisão que Suzane Von Richthofen.


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Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos


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