sábado, 30 de maio de 2020

Perfil Criminal: O Justiceiro é Psicopata?


Frank Castle, mais conhecido como Justiceiro, é um personagem em quadrinhos da editora  Marvel Comics. Castle é um  vigilante durão e impiedoso que não dá moleza pra bandido e já matou um número incaculável de criminosos. Muitos outros heróis do seu universo o chamam de psicopata. Mas será mesmo? 

Nesta matéria vamos analisar e traçar o perfil do Justiceiro  e tirar a dúvida se o nosso herói seria na verdade um psicopata assassino.



Histórico



Frank Castle, ou Francis Castiglione foi criado em um ambiente familiar tradicional e muito relegioso. Nesse ambiente, seguindo os valores morais de sua família, com um caráter honesto, trabalhador, religioso e colocando a família acima de tudo na vida. O jovem Frank seguiu carreira militar, e se tornou Capitão do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (United States Marine Corps), sendo um combatente altamente treinado e disciplinado. Frank lutou na Guerra do Vietnã e se tornou o melhor soldado que um exército poderia ter: determinado, leal, resistente e uma máquina de matar. 


Leal, corajoso, Frank Castle chegou a se tornar herói de guerra condecorado pelos seus serviços no Vietnã.


Ele se especializou em diversas técnicas de combate: armamentos, explosivos, sobrevivência, veículos de guerra, e tudo mais que um homem precisa saber para ganhar uma guerra inteira sozinho. Quando Castle voltou, se casou com Maria Elizabeth, e tiveram dois filhos: Frank David Castle (ou Frank Jr.) e Lisa Bárbara Castle. Ele foi aclamado como um herói de guerra, e foi condecorado. Um dia Castle foi com sua família ao Central Park para um piquenique, era para ser um dia tranqüilo, com todos muito felizes e se divertindo. Era um dia perfeito, até que ouviram-se tiros. Gangues se enfrentavam disputando poder, e um dos homens fugia na direção dos Castle. A família teve o azar de testemunhar o assassinato do homem, e para eliminar as testemunhas os assassinos atiraram em todos eles. 



Frank estava vivo, escapou da morte por muito pouco, e pelo resto da vida desejaria ter morrido naquele dia, jamais se recuperou, e alega que Frank Castiglione morreu, junto com Maria e as crianças.

Assim Castle se tornou o Justiceiro, levando a  guerra contra a máfia e todos os criminosos usando todo o tipo de armamento de guerra e técnicas assassínio, espionagem, o rapto, a extorsão, a coerção, as ameaças violentas e a tortura.





Perfil Criminal



Frank Castle teve uma ótima formação familiar como vimos, e amava sua esposa e filhos e ainda arriscou a sua vida pelo seu país se tornando um herói condecorado. Esses aspectos estão longe de pertencer a um psicopata, ou tecnicamente falando de um portador de transtorno antissocial. Pois um psicopata é incapaz amar ou ter pensamentos altruístas e corajosos pondo sua vida em risco pelos outros. Nos quadrinhos do Justiceiro temos vários exemplos de psicopatas como Retalho, Mercenário, Barracuda, Rei do Crime entre outros que nada têm a ver com o herói, a matança para eles é um esporte ou faz parte dos negócios.  



Na imagens acima, de cima pra baixo: Barracuda, Retalho, Mercenário, psicopatas extremamente sanguinários que o Justiceiro combate.


Frank passou por um violento trauma, no DSM 5 (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) encontramos o Transtorno de estresse pós-traumático (TEP) que corresponde aos sintomas apresentados pelo Justiceiro: 

A. Exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual em uma (ou mais) das seguintes formas:

1. Vivenciar diretamente o evento traumático.

2. Testemunhar pessoalmente o evento traumático ocorrido com outras pessoas.

3. Saber que o evento traumático ocorreu com familiar ou amigo próximo. Nos casos de episódio concreto ou ameaça de morte envolvendo um familiar ou amigo, é preciso que o evento tenha sido violento ou acidental.


B. Presença de um (ou mais) dos seguintes sintomas intrusivos associados ao evento traumático, começando depois de sua ocorrência:

1. Lembranças intrusivas angustiantes, recorrentes e involuntárias do evento traumático.

2. Sonhos angustiantes recorrentes nos quais o conteúdo e/ou o sentimento do sonho estão relacionados ao evento traumático.

3. Reações dissociativas (p. ex., flashbacks) nas quais o indivíduo sente ou age como se o evento traumático estivesse ocorrendo novamente. 

4. Sofrimento psicológico intenso ou prolongado ante a exposição a sinais internos ou externos que simbolizem ou se assemelhem a algum aspecto do evento traumático.

5. Reações fisiológicas intensas a sinais internos ou externos que simbolizem ou se assemelhem a algum aspecto do evento traumático.

C. Evitação persistente de estímulos associados ao evento traumático, começando após a ocorrência do evento;

D. Alterações negativas em cognições e no humor associadas ao evento traumático começando ou piorando depois da ocorrência de tal evento, conforme evidenciado por dois (ou mais) dos seguintes aspectos:

1. Incapacidade de recordar algum aspecto importante do evento traumático;

2. Crenças ou expectativas negativas persistentes e exageradas a respeito de si mesmo, dos outros e do mundo;

3. Cognições distorcidas persistentes a respeito da causa ou das consequências do evento traumático que levam o indivíduo a culpar a si mesmo ou os outros;

4. Estado emocional negativo persistente (p. ex., medo, pavor, raiva, culpa ou vergonha);

5. Interesse ou participação bastante diminuída em atividades significativas;

6. Sentimentos de distanciamento e alienação em relação aos outros;

7. Incapacidade persistente de sentir emoções positivas (p. ex., incapacidade de vivenciar sentimentos de felicidade, satisfação ou amor);

E. Alterações marcantes na excitação e na reatividade associadas ao evento traumático, começando ou piorando após o evento, conforme evidenciado por dois (ou mais) dos seguintes aspectos:

1. Comportamento irritadiço e surtos de raiva (com pouca ou nenhuma provocação) geralmente expressos sob a forma de agressão verbal ou física em relação a pessoas e objetos;

2. Comportamento imprudente ou autodestrutivo;

3. Hipervigilância;

4. Resposta de sobressalto exagerada;

5. Problemas de concentração;

6. Perturbação do sono (p. ex., dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou sono agitado).



Como podemos ver os sintomas acima são os mesmos apresentados nas ações de Frank Castle, seja no quadrinhos, cinemas, ou na recente série de TV da Netflix. Então apesar de ser uma máquina de matar Justiceiro não é um psicopata, ele sofre de transtorno de estresse pós-traumático e é direcionado pela sua raiva a matar todos os criminosos a sua frente. Na sua mente ele justifica seus  atos acreditando que salva a população dos criminoso, que ele chama de escória.


Ao contrário de um psicopata Frank Castle, sempre amou sua família e era leal a seus amigos.


E você leitor? Tem algum personagem da cultura pop que gostaria que traçássemos o perfil criminal? Dicas, sugestões, deixem nos comentários. Muito Obrigados por acompanhar nosso trabalho.

Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos


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