quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Simbologia do escudo do capitão américa


O icônico escudo do Capitão América é muito mais do que uma arma, é um símbolo como já foi referido inúmeras vezes tanto nos quadrinhos, como no cinema e na série falcão e o soldado invernal. Inclusive Sam Wilson, alter ego do super-herói Falcão sentiu o peso desse símbolo da série, chegando rejeitar a responsabilidade de ergue-lo no inicio se desfazendo do escudo. 

 
Até o mais novo fã de super-heróis sabe que todo herói tem um truque: ferramentas e implementos poderosos que agem como símbolos. Ao contrário dos trajes, esses objetos carregam um significado pessoal de quem são, e não do que desejam ser. Eles são símbolos. Como os deuses da mitologia, os símbolos de nossos heróis têm poder e uma definição romântica para eles. Cupido e suas flechas expressam as intenções do destino com imagens fálicas. A espada do Rei Arthur afirma que o poder só é herdado pelos escolhidos de Deus.

                          O escudo do Herói Grego Aquiles representa o mundo.

 

Em todas as situações, essas ferramentas falam muito sobre a pessoa que as usa e têm um efeito profundo em nossa compreensão do usuário. E o principal artefato conectado com o Capitão América é definitivamente seu escudo indestrutível, que é sua arma primária e, de certa forma, o logotipo do Capitão América. Mas o que o escudo representa? Vamos nesta matéria fazer um estudo em sua analogia.

 

 Escudo em foco

O escudo do Capitão América é uma das armas mais reconhecidas na história dos quadrinhos bem como em toda cultura pop. A escolha de um  escudo como a arma de Steve Rogers deixa claro que ele é um defensor. As cores da bandeira norte-americana possui os mesmos valores adotados pelo Capitão. O azul simboliza a “justiça” e a “perseverança”, o vermelho significa o “valor” e a “resistência” do povo americano e o branco representa a “pureza”.

O escudo do Capitão América feito de uma liga metálica especial é quase indestrutível, sendo um símbolo em vários aspectos da resiliência e sua grande estrela ao centro remete a esperança, uma vez que as estrelas presentes na bandeira americana, assim como nas bandeiras de diversos países como a do Brasil, remetem a ideia a um céu luminoso no meio da noite. Não é à toa que a estrela desde antiguidades em mitos e lendas são consideradas como portadoras de boa nova. Quaisquer que sejam as modificações feitas pelo logotipo do Capitão América, ele sempre se manteve consistente em termos de esquema de cores. A paleta foi baseada nas cores da bandeira dos Estados Unidos, com pequenas mudanças de tonalidade. As cores da bandeira norte-americana presentes tanto no escudo quanto no uniforme do capitão possuem os mesmos valores adotados pelo Capitão. O azul simboliza a “justiça” e a “perseverança”, o vermelho significa o “valor” e a “resistência” do povo americano e o branco representa a “pureza”. Existem muitas metáforas escondidas por trás do escudo de Steve Roger em vermelho, branco e azul .


Assim como o Mjolnir de Thor, o escudo do Capitão América é uma arma perfeita que normalmente não pode ser usada por outros. Os personagens às vezes são vítimas de suas próprias habilidades e poderes, mas o escudo de Capitão não pode ser usado contra o mestre portador. O escudo adiciona profundidade ao personagem e lhe dá outro ás na manga. Depois de arremessado sempre vai volta para sua mão. Esse uso do escudo é muito parecido com seu senso de justiça: absoluto. O escudo sempre retornará, apesar das leis da física. De muitas maneiras, a iniciação de Rogers jogando o Escudo pode ser uma metáfora de seu manto como um herói: um canal de justiça em si. A natureza transcendente deste escudo e sua capacidade de viajar com fluidez pelo campo de batalha são uma reminiscência do patriotismo do Capitão América. Com toda essa simbologia envolvendo justiça e proteção não é por acaso que as poucas ocorrências em quadrinhos da quebra do escudo prenunciaram uma grande tragédia na história, como no arco de história da Guerra Civil.

Indo mais profundamente na representação psicanalitica e arquetipica o escudo é uma arma e um símbolo inerentemente passivos, embora o capitão o use de maneira única, sendo concebido como um meio de defesa e nunca de ataque. O escudo em si é uma arma improvável, não existem arestas vivas e é provavelmente o armamento menos fálico possível, declara equilíbrio e tutela. Biblicamente, o Escudo transmite proteção contra o mal e as falsidades. Em combate, é a arma mais importante de Rogers. Para Steve Rogers, Capitão América, isso pode significar sua batalha contínua contra os vilões.Enquanto uma arma fálica, como uma espada, lança, ou arma de fogo simboliza pela teoria freudiana poder e intimidação, ambos traços supostamente “masculinos”, um escudo terá um simbolismo inerentemente feminino. Um escudo é a "antítese" natural da espada: um escudo bloqueia onde uma espada ataca; um escudo salva vidas onde a espada os leva. O escudo é a mãe do pai da espada. Devido aos preconceitos culturais que existem nas culturas patriarcais, as pessoas não são intimidadas pelo Escudo por si só. Em vez disso, as pessoas vão se aglomerar nele em busca de conforto e abrigo.

Por meio do uso de Rogers de uma ferramenta maternal, podemos presumir um relacionamento entre Rogers e sua mãe. Os fãs de quadrinhos que leram a história que saiu originalmente na edição mais recente do CAPTAIN AMERICA # 1 se lembrarão do próprio pai bêbado e abusivo de Rogers, e da mãe de Rogers, que era terna e gentil. Ela protege Rogers do abuso de seu pai. Neste cânone cômico, os pais de Rogers são imigrantes no país e operários de fábrica: duas coisas que representam o sonho americano.

                            Steve Rogers era protegido pela mãe de seu pai abusivo.


O escudo do Capitão América é uma construção não apenas da fé do Capitão América no sonho americano como um protetor. De muitas maneiras, o relacionamento do Capitão América com sua mãe afeta seu futuro como herói, assim o escudo é um reflexo do poder de sua mãe e seus traços femininos naturais de proteção,  o escudo é a  representação arquetípica da "anima" (arquétipo feminino que todo homem possui) como diria o psiquiatra austríaco Jung. A mãe de Rogers veio para a América com o sonho de uma América ideal que mais tarde encontrou.  Então Rogers não escolheu uma arma que visava o poder que poderia cominar em abuso como ocorreu com seu pai, que veio para a América e se afogou na desesperança. Rogers escolheu a esperança que sua mãe tinha: junto com um símbolo contundente que oferecia uma segunda chance para a América.

O escudo é uma visão única de Steve Rogers, embora seja uma parte importante sua, e de quem ele é, há mais elementos em Rogers. Afinal, Rogers foi escolhido  para ser o Capitão América. Graças ao Escudo, vemos Rogers através dos olhos redondos de sua mãe: como um lutador, sonhador e protetor.

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segunda-feira, 14 de junho de 2021

Perfil Criminal: O Grande Dragão Vermelho

Como funciona a construção de um perfil de um assassino psicótico? Nesta postagem vou utilizar o personagem Francis Dolarhyde do filme "Dragão Vermelho" para demonstrar as principais características que podem ser observadas. Um indivíduo dominado pelo delírio e compulsão pela violência.

Então vamos imaginar que Dolarhyde foi preso e está à nossa frente para que façamos a elaboração de seu perfil psicopatológico.

 

 

Apresentação

O paciente é Francis Dolarhyde, com idade por volta dos quarenta anos. O paciente é alto, atlético, pratica musculação e apresenta-se em boas condições de higiene pessoal, com vestes adequadas.

 

Atividade Psicomotora e Comportamento:

Em relação a atividade psicomotora e comportamento sua mímica é desconfiada, pouca gesticulação, quase ausente, motilidade normal,  modo de caminhar tenso. 

A atitude do paciente para com o entrevistador é cooperativa, gosta de falar sobre suas crenças, contudo adota uma postura de superior, acreditando estar em comunhão com um ser místico evoluído, como ele mesmo diz “um deus entre os homens, o “Dragão Vermelho”. Em algumas vezes se mostra irritado quando é mencionado a alcunha que foi criada para ele pela mídia: Fada dos Dentes. Dolarhyde descreve tal título como “aviltante” e uma distorção do que ele representa, já que está ligado a um ser superior.

No que tange sua atitude verbal fala pouco sendo igualmente pouco responsivo às deixas do entrevistador, torna-se desconfiado quando o assunto é sobre sua fala ou sobre sua aparência física uma vez que sente desconfortável com sua deformidade labial, uma vez que sofreu diversos abusos psicológicos quando morava com sua avó na infância, que o chamava de monstro entre outas coisas. Mesmo sendo submetido a cirurgia estética em sua fenda palatina, ele ainda não se sente confortável com sua aparência chegando a quebrar os espelhos de sua casa para não olhar para sua imagem. Porém, fica a vontade e se torna normalmente responsivo e fala muito quando menciona sua metamorfose no seu avatar sagrado, o “Dragão Vermelho”, e como funciona o processo de sua comunhão com esse místico que acredita estar em contato e ser o seu deus. Outra ocasião em que fala bastante é quando fala sobre o médico assassino em série doutor Hannibal Lecter, pessoa a qual admira muito por acreditar estar de alguma forma devido a sua percepção acima das outras pessoas da sociedade, e que segundo ele o inspira, no seu processo de ascensão.

 

Funções Psíquicas – Avaliação e relato da atividade mental 

Em análise em relação ao nível da consciência objetiva o paciente sofre de Delirium com alucinações auditivas, e ideias deliróides sobre o ser fantástico, o qual imagina ter uma ligação real, o “Dragão Vermelho”. Sendo que Dolarhyde narra que ouve em diversas ocasiões o Dragão lhe dando ordens, e que acredita estar em contato e que esta se fundindo com tal ser, chegou a citar que em determinada ocasião o Dragão havia exigido que ele sacrificasse sua colega de trabalho chamada Reba McClane que é deficiente visual, a qual estava apaixonado.

Observa-se que sua consciência reflexiva, a sua consciência do eu, em relação a sua identidade acredita que sua persona humana seja apenas uma casca utilizada pelo seu verdadeiro ser, que como descreve: o “Deus Dragão”, não estando consciente que sempre seja a mesma pessoa havendo a despersonalização.  O indivíduo dentro deste espectro de consciência vivencia a si próprio como irreal, diferente, transformado, estranho ou dissociado.

Sua atenção é voluntária, pois sua concentração se mostra ativa e intencional, lhe permitindo uma boa interatividade com pessoas e tarefas no dia a dia. Apresenta hiperprosexia com atenção seletiva devido sua capacidade de determinar atenção focal, e concentração das funções mentais e estabelecer prioridades da atividade consciente visando à seleção de estímulos e objetos específicos, perante a um amplo número destes, como por exemplo, em determinado momento em que assistia um determinado vídeo caseiro de uma casa que planejava invadir mesmo com sua namorada Reba o excitando sexualmente fazendo sexo oral. E observa-se possuir concentração derivada de sua atenção voluntária, conseguindo desempenhar normalmente suas funções do dia a dia, seja como chefe de produção da divisão de filmes domésticos, ou executando seus ataques a casa das vítimas.

Possuí orientação Orientação Alopsíquica, uma vez que demonstra capacidade de se orientar em relação ao mundo no espaço, como sua residência, local onde desempenha seu trabalho, inclusive sabe dirigir. E orientação no tempo, fazendo perfeita distinção dia da semana, dia útil ou fim de semana, distinção entre dia e noite, podendo ser percebida devido seu comparecimento regular em seu local de trabalho no horário previsto, e em usas ações em que atacou pessoas chegava a se guiar pelas fases de lua cheia para programar suas ações. E também observamos orientação autopsíquica já que é possível observar sua capacidade de se orientar em relação a si mesmo como seu nome, profissão, etc.

Memória e inteligência do paciente se mostram normais, porém analisando sua sensopercepção constata-se que sofre alucinações auditivas, já que como mencionado anteriormente acredita que a entidade “Dragão Vermelho” conversa com ele, ouvindo sua voz.

A forma de pensamento são de ideias prevalentes, a ideia de fazer parte de um processo de comunhão com um ser místico e a obrigatoriedade de fazer sacrifícios para atingir a plenitude desta transformação, apesar de serem frequentes não parecem absurdas ao paciente. Assim, como se pode observar tais conteúdos do pensamento do paciente envolvem poder e grandeza, acreditando estar próximo de entrar em uma espécie de comunhão com a entidade “Dragão Vermelho”.

Sua linguagem possui velocidade normal, apesar da sua deformidade labial, e de falar pouco por conta desse fato, se expressa bem quando disposto.  

 Sobre sua capacidade de juízo e crítica perante as dimensões de delírio em relação a causalidade o paciente Dolarhyde possuí grande convicção de sua ideias delirantes, apresentando consequentemente uma  resposta afetiva e comportamento desviante extremados sendo capaz de matar para satisfazer a entidade mística que acredita servir.

No quesito tipos de delírio constatamos delírio primário ou ideias delirantes verdadeiras por ser delírio isento de fatores externos, uma vez que acredita que o ser místico o “Dragão Vermelho” é onisciente e onipresente se comunicando com ele diretamente, ditando suas ações.   Delírio de grandeza também se encontra presente, pois acredita ser especial, com um destino espetacular, se fundindo com seu deus em uma espécie de comunhão ritualística por meio de sacrifícios humanos. A estrutura de seus delírios se mostra sistematizado, bem organizado e rico em detalhes. Podemos observar, por exemplo, que após selecionar a família que vai atacar devido a vulnerabilidade da segurança da casa que  ele analisa no vídeos caseiros, ele programa seus assassinatos com base nas fases da lua, chegando a ir dias antes do ataque para matar os animais domésticos para evitar que seja denunciado no dia do ataque.

Outro fator a se observar em relação a sua sistematização deliróide é que além de suas ações serem bem planejadas e coordenadas como Dragão são muito bem estruturadas. Depois de matar suas vítimas as coloca ritualisticamente ao redor da cama principal e se envolve em atos necrofilia com os cadáveres das mães colocando cacos de espelho nos olhos de suas vítimas para que elas possam ver sua própria "transformação" no Dragão, podendo-se observar que seus delírios além da organização são ricos em detalhes. E ainda são crônicos por já o acompanharem a muito tempo, possuindo até um diário a muito tempo utilizado que retrata as suas convicções em relação a seu papel em meio como ele mesmo descreve a grande mudança que o levará a se tornar “um” com seu deus.   

Pode-se, portanto verificar que o conteúdo do delírio do paciente são de grandeza pois acredita ser especial, tendo o privilégio de entrar em comunhão se fundindo com um ser místico o “Dragão Vermelho”, dotado de poderes, tendo como destino final se tornar um “deus entre os homens”. E finalmente constata-se também delírio de ciúme ou infidelidade, pois ao observar sua namorada Reba McClane  chegando com um colega de trabalho em casa após um jantar, mesmo sem nada acontecer de fato, acreditou de maneira convicta ter sido traído, falando posteriormente para ela após sequestrá-la e amarra-la que o havia engando e magoado.

Observa-se pragmatismo no paciente, pois busca realizar suas tarefas e anseios, seja em sua vida social, sendo um bom funcionário em sua empresa, elogiado por seus supervisores, ou convidando sua colega de trabalho e interesse romântico Reba McClane  para sair. E mesmo em sua persona deliróide que assume a identidade do Dragão Vermelho o vemos agir de forma disciplinada e focada como foi supramencionado.

          O processo de volição demonstra intenção e propósito, pois ele se mostra capaz de esboçar a ação a ser tomada, ponderar e deliberar sobre o percurso da ação indo para a resolução e execução da ação.   Como dito acima desde a escolha da casa, o momento adequado para atacar e os rituais que se sucedem, pode-se verificar que o paciente sabe direcionar de forma categórica a seus objetivos. Mesmo em seu dia a dia vemos sua capacidade de planejamento e execução, o paciente Dollarhyde chegou a planejar a visita de sua colega de trabalho que era seu interesse romântico para ter contato com um leopardo no zoológico depois de em outro momento dias antes ela falar que não lembrava como era animal, já que a ultima vez que viu a imagem de um foi quando criança antes da cegueira.    A sua impulsividade seguem atos de vontade, pois se mostra plenamente consciente do fim, conhece meio e consequências, sabendo que seus atos podem agradar como no caso do leopardo no zoológico envolvendo sua colega Reba, ou quando citou ter devorado o quadro “O grande Dragão Vermelho e a mulher vestida como o sol” do artista William Blake no museu, ou mesmo quando planejava o ataque a novas vítimas.

Em consonante com a afetividade do paciente se mostra de maneira variável: ora demonstra estabilidade, incólume a estímulos menores, como quando resolve agir como Dragão Vermelho atacando pessoas. Ora constata-se ressonância como suas ações em relação a sua colega Reba que ele tende a responder as atitudes de afeto dele com demonstração de carinho e dedicação. E disforia, o paciente se mostra de maneira agressiva quando confrontado, como no caso em que ele é  abordado pelo dono da banca de jornal que mostra-se irritado pelo paciente Dollarhyde chegar muito cedo para comprar o jornal antes dele desempacotá-los, e o paciente lhe mostra um estilete para confrontar e intimida-lo. Ou ainda quando se irritou com o artigo do jornal Freddy Lounds do The Tattler  onde o jornalista Freddy Lounds descreve sua persona como Dragão Vermelho de forma pejorativa também respondendo a essa situação de forma extremamente agressiva matando o jornalista, ou quando viu Reba chegando em casa após jantar com um colega de trabalho despertando ciúme e muita raiva, acreditando que ela o estava magoado de propósito.

Hipomodulação do afeto também é evidenciado devido incapacidade do paciente de modular a resposta afetiva de acordo em certas situações vivencial correspondente, indicando rigidez do paciente em relação ao mundo, como o ato de matar as famílias lhe traz regozijo, quando tal ideia deveria lhe trazer repudio e tristeza.  Assim como paratimia devido a sua incongruência entre a esfera afetiva e ideativa, pois se vê momentos onde o paciente, por exemplo, se mostra apaixonado por sua colega Reba demonstrando carinho e lhe fazendo surpresa, e no momento seguinte a expulsa do carro de maneira abrupta falando que vai viajar, e posteriormente decide sequestra-la.
 
 
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quinta-feira, 10 de junho de 2021

O que é Possessão para a ciência?

A possessão é um fenômeno tão antigo  quanto a humanidade, existem relatos históricos em quase todas as civilizações antigas. Tal fenômeno social apesar de sua anormalidade intrínseca é mais comum do que se pode imaginar e não poderia ser ignorado pela ciência.

Assim sendo, como veremos nesta matéria não só é um fenômeno reconhecido e estudado clinicamente, como também são definidos seus sintomas e possíveis tratamentos médicos. 

 
Homem possuído no hospital Miguel Couto - RJ.

 

Perda de identidade?

Áudio do caso de possessão de Emily Rose.
 

Como vimos acima desde o começo da humanidade existem relatos sobre possessão, em diversas culturas. Porém sempre era associada a presença de alguma entidade malévola que estaria ocupando o corpo de determinada pessoa. A pessoa possuída pode apresentar comportamento diferente do habitual, voz alterada, ouvir vozes, ver coisas que mais ninguém consegue ver no ambiente, e até mesmo apresentar uma força fora do normal, mas o que poderia ser isso? O fato é que diversos problemas neurológicos podem causar perda de identidade, memórias, alucinações, delírios e fala incompreensível, então contextualizar simplesmente como um evento que necessita de intervenção religiosa pode ser muito prejudicial para a pessoa, pois poderia priva-la de uma ajuda efetiva caso seja constatado algum problema clínico.

                                                   Filme "Exorcista", baseado em fatos reais.

Historicamente o "delírio espírita episódico" era uma doença frequente e responsável por 5% a 10% das internações psiquiátricas. Atualmente episódios de transtorno dissociativo (divisão da própria cognição e identidade) foram identificados em 11% dos adultos durante sua vida e com prevalência de 6%/ano.

O transtorno de transe e possessão(CID-10) ou Transtorno de Transe Dissociativo(DSM-IV) é um transtorno dissociativo caracterizado por uma perda transitória da consciência de sua própria identidade, associada a uma conservação perfeita da consciência do meio ambiente. Deve ficar claro que: 

"Apenas estados de transe involuntários e não desejados são considerados transtorno, não deve ser classificado como doença quando ocorre apenas em situações adequadas ao contexto cultural ou religioso do sujeito."


 

Possíveis Causas

O Transtornos dissociativos geralmente ocorrem em relação temporal estreita com eventos traumáticos, problemas insolúveis e insuportáveis, ou relações interpessoais difíceis. Ocorre uma cisão (divisão) do ego(identidade pessoal) e uma nova personalidade com lembranças, consciência, identidade, percepção e controle dos movimentos corporais peculiares é formada. Esse fenômeno é conhecido como transtorno de despersonificação ou como transtornos egodistônicos.

Podem ser causadas por sugestão, sendo relacionado a sugestionabilidade do indivíduo, como uma hipnose ou, em casos mais graves, uma lavagem cerebral. O impacto e eficiência da sugestão é proporcional ao quanto a ideia sugerida atende às necessidades emocionais do individuo e de sua cultura. Ou seja, quanto mais emocionalmente e psicologicamente abalado, com vida social e familiar insatisfatória, ansioso por aprovação social, impulsivo e emotivos mais sugestionável.

Também podem ser causados por excesso e falta de neurotransmissores de forma similar a esquizofrenias e delírios. Especialmente desregulação nas vias de dopamina, serotonina e catecolamina atuando em áreas relacionadas ao autocontrole, percepção, raciocínio e cinestesia.

 

Sinais e sintomas

                                       Criança apresentando sinais de possessão.
 

Os sinais e sintomas são muito similar a um transtorno de "múltiplas personalidades", mas possuem forte questão espiritual, cultural e social envolvidas. No transtorno de Transe Dissociativo assim como no transtorno dissociativo de identidade (vulgarmente conhecido como múltiplas personalidades) as principais características são a perda parcial ou completa das funções normais de integração das lembranças, da consciência, da identidade e das sensações imediatas, e do controle dos movimentos corporais. Assim, a "possessão" é como uma nova personalidade criada pela própria pessoa com suas peculiaridades, tom de voz, gostos, controle de movimentos, identidade e lembranças distintos.

 

Diagnóstico

Basicamente a diferença entre possessão saudável e transtorno que requer tratamento é o quanto de prejuízo ele causa.

 

a. Sinais que é apenas uma experiência cultural:

    Ausência de sofrimento psicológico;

    Ausência de prejuízos significativos sociais, escolar ou no trabalho;

    A experiência tem duração curta e ocorre episodicamente;

    Atitude crítica sobre a realidade objetiva da experiência;

    Compatibilidade da experiência com o grupo cultural ou religioso do indivíduo;

    Não associado com outros transtornos psicológicos;

    A experiência gera crescimento pessoal;

    A experiência é controlada;

    É uma experiência social.

 

b. Sinais que é um transtorno psicótico ou dissociativo com conteúdo religioso:

    Causa sofrimento;

    Causa prejuízo social, escolar ou no trabalho;

    Associado a outros sintomas psiquiátricos;

    Incongruente com a religião e cultura do indivíduo;

    Involuntário;

    Desestruturante;

    Indesejado;

    Persistente;

 

Observação importante:

Até hoje convulsões, psicoses e transtornos dissociativos são confundidos com possessão demoníaca e as vítimas sofrem com preconceito, tortura ou assassinadas por ignorância dos observadores.

Estar fazendo tratamentos espirituais não impede tratamentos psicológico e psiquiátrico de serem feitos simultaneamente. O critério recomendado por médicos e psicólogos para diferenciar possessões que precisam ou não de tratamento é o quanto de sofrimento, perigo e prejuízo eles causam: Quanto mais prejudiciais e frequentes forem os episódios mais urgente a necessidade de tratamento.

Dentre os pacientes tratados 67% conseguem fazer uma reintegração social e cognitiva saudável e estável em uma média de 21.6 meses. A maioria dos que continuam instáveis e desintegrados demonstram melhora significativa. A recomendação médica é de 3 sessões de 1h por semana iniciais de psicoterapia dinâmica e pelo menos uma sessão por semana após o indivíduo alcançar maior estabilidade durante 2 anos. Pode durar mais caso o paciente não esteja produtivo e saudável ao final de 2 anos.


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